A conquista do voto feminino no Brasil não foi um presente, mas o resultado de uma mobilização incansável que atravessou gerações. Hoje, celebramos o Dia da Conquista do Voto Feminino, uma data que nos convida a olhar para o passado para entender o nosso papel no futuro da democracia.
O Início da Luta: Persistência contra o "Não"
A semente da participação política feminina foi plantada ainda no século XIX. Já em 1891, tentou-se incluir o direito ao voto na Constituição, mas o movimento enfrentou barreiras sólidas. Outras tentativas, como a do deputado Maurício de Lacerda em 1917, também foram barradas pelo conservadorismo da época.
O Pioneirismo do Rio Grande do Norte
O cenário começou a mudar graças à coragem das potiguares. Em 25 de outubro de 1927, o Rio Grande do Norte aprovou a Lei Estadual 660, tornando-se o primeiro estado brasileiro a garantir o voto às mulheres. Foi nesse contexto que a professora Celina Guimarães fez história ao se tornar a primeira mulher a se alistar para votar no Brasil — um marco para toda a América Latina.
Evolução e Restrições: O Caminho até a Igualdade
A vitória nacional veio em 24 de fevereiro de 1932, com a inclusão do voto feminino no Código Eleitoral. No entanto, o direito ainda era limitado: apenas mulheres casadas (com autorização do marido) ou viúvas com renda própria podiam votar.
1934: O direito foi estendido a solteiras e viúvas com trabalho remunerado.
1935: O voto tornou-se obrigatório para mulheres com atividade remunerada e facultativo para as demais.
1965: Finalmente, o Código Eleitoral estabeleceu a plena igualdade entre os votos feminino e masculino.
O Desafio Atual: Ocupar os Espaços de Poder
Mais do que uma data comemorativa, hoje é dia de refletir. Conquistamos o direito de votar, mas a luta agora é para sermos votadas. Precisamos de mais mulheres nos espaços de decisão, elaborando leis e implementando políticas públicas que reflitam as nossas reais necessidades.
Exercer a cidadania é usar o nosso voto como instrumento de transformação. Afinal, juntas somos mais fortes e essenciais na construção de um país mais justo e solidário.